AMIGAS & AMIGOS

Há tantas e ótimas definições sobre ser e ter amigos que tentar redefinir ou reescrever seria um erro.

Então aproveito este momento, aos 45' do segundo tempo para relembrar os meus amigos e minhas amigas.

Cheguei a acreditar que não tivesse amigo de verdade nem de mentira, afinal, "amigo de verdade não é aquele que enxuga suas lágrimas, é aquele que chora com você". Lembrei que nunca ninguém, a não ser eu, enxugou minhas lágrimas, e ninguém chorou comigo, a  não ser em velório. Mas, velório não conta porque lá todo mundo chora.

Resolvi esquecer as definições "tristes" de amizades e buscar na memória aqueles e aquelas que despertaram em mim emoção. Da forma mais pura e tosca, como só a emoção sabe ser.

Um amigo uma vez me carregou na "garupa" da Caloi Barra Forte azul, por cerca de cinco quilômetros para me levar ao PA realizar procedimento médico após um acidente. Este mesmo amigo, me levou ao bar que frequentava e me deu de presente um Choco Leite e um pastel. Não sei a idade, mas, foi o primeiro lanche que me recordo ter feito com aquele amigo.

Eu joguei uma amiga de um barranco de dois metros de altura, duas vezes. Outra amiga, irmã dessa amiga me convidou para dançar com ela na formatura. E eu não sei dançar!
A amiga mais velha, mãe das amigas acima, fez os melhores pratos que eu comi na infância e um dia me deu um "prestígio" e disse: "pega, porque tu me deixou triste hoje". Eu não entendi nada, porém o chocolate estava uma delícia. Um tempo depois salvei a vida desta amiga tirando-a do meio de um incêndio, e pensei "agora ela me dá a fábrica de chocolate". Ledo engano: "porque demorou?", disse a onça, digo, a amiga.

Houve também um amigo que era companheiro nos times de futebol nas peladas no bairro onde eu morava. Para meu azar, os outros o chamavam de "Maradona", e eu de .... Bem, é conveniente eu não lembrar como eu era chamado. Este amigo esteve e está presente até hoje na minha vida. 

A amiga que me ensinou diversas coisas, que dividiu várias viagens fez e faz parte dos dias e me deu o melhor e maior presente que ganhei nesta vida, a quem também posso chamar de amigo.

E este amigo que um dia, com uma só frase ensinou de uma vez por todas o valor real do dinheiro. Ele queria ver o ídolo Neymar, os ingressos mais baratos haviam acabado e eu disse "Mateus o ingresso é caro" e ele respondeu "Mas Papai, eu tenho dinheiro no cofre". Aí eu fiquei com vergonha de trabalhar e não saber para que.

Havia um amigo que todo fim de ano passava férias na minha casa. Foi "o" amigo, dividíamos as tarefas, as brincadeiras, o pão, as broncas e as surras. E tudo era perfeito.

Mais tarde, quando o coração quis se apaixonar um amigo me deu um violão. Ah! o violão! Um amigo presente de um amigo. O violão foi companheiro das noites que atravessaram madrugadas na rua Nacar, 907. Começava com músicas religiosas e depois que todos dormiam, o repertório mudava para as músicas que faziam lembrar delas. (Suspiro).

O amigo do trabalho que vive quebrando o galho, "cara volta lá, de Campo Alegre a São Bento é pertinho". A amiga que aceita as brincadeiras as exageradas, mesmo sendo uma onça. 

Amigo intelectual é o que empresta um ótimo livro e faz a gente recomendar "A Suavidade do Vento, de Cristovão Tezza". Aí este mesmo amigo, 10 anos depois, tem a cara de pau de deixar passar a data do aniversário e aparece com um pen drive com mais 800 músicas que fazem parte da trilha sonora da sua vida. E talvez das vidas que ainda virão. Música 128 Led Zeppelin - Going To California, só por causa desta música considere-se perdoado.

O tempo foi impiedoso, passou rápido.Trouxe e levou com a mesma velocidade dezenas, centenas de pessoas que, em algum momento meu coração os nominou "amigos e amigas".

Pessoas que me deram a chance de sentar em suas companhias numa sala de aula, dividir uma xícara de café, fazer uma refeição. Pessoas que compartilharam suas experiências, suas vidas, seus segredos, seus sonhos e ideais.

Meninos e meninas, jovens, homens e mulheres que me permitiram entrar em suas casas, roubar seu tempo, invadir suas vidas.

Amigos que me deram a chance de realizar um sonho, de forma sutil e profundamente inesquecível. Como aquele amigo que abriu o microfone pela primeira vez na Rádio União no Iririú e disse: "fala Marcos Aurélio". E lá se vão mais de sei anos realizando o sonho ao lado deste cara. 

Os amigos das centenas de peladas. Peladas não! Todas decisões de campeonatos mundiais. Amigas e amigos que ouviram meus trabalhos nas rádios União, Leste ou Máxima. O cara que levou para trabalhar nos jogos do Joinville. Também os que leram meus escritos nos blogs, publicações ou e-mails. 

Os amigos que fizeram jogadas maravilhosas para eu descrever, e proporcionaram fotos belíssimas para eu clicar. As amigas "Pirabeiretes" que fizeram a faixa agradecendo os trabalhos no blog Futebol Amador Joinville.
 
Amigas que deram de presente uma caneca. Amigas que presentearam com suas companhias e com a ternura que só as mulheres sabem ser e ter. E uma amiga especial, tão especial que já está em outra dimensão.

Há também os amigos que ligam ou mandam mensagem numa terça-feira qualquer convidando para assistir um jogo que não vale nada. Ah, mas, a companhia é demais prazerosa. Amigos que toda segunda-feira chamam para o café. 

Há as amigas esquecidas e as que nunca esquecem. Aquelas amigas que gostam de manter tudo organizado e outras que querem bagunçar, revirar toda as caixas e pastas.

E na era da tecnologia, não faltam os amigos e amigas que dentre as milhares de mensagem enviam uma piada simples, que faz nascer no rosto um sorriso que logo se transforma em gargalhada.

Enfim, amigos e amigas. Não há fotos ou VHS que comprovem estes e outros momentos. Mas, tenham certeza de que, se vocês passaram pela minha vida, suas existências estarão para sempre gravadas no livro da minha história.

Obrigado amigos! Os bons momentos foram clicados pelos meus olhos e arquivados, organizados em pastas, no meu coração!

Marcos Aurélio Carvalho | Julho de 2016

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