CAPÍTULO 41, O TÍTULO INÉDITO DA LIGA NACIONAL

O que eu vivi neste dia no Centreventos foi épico, fantástico maravilhoso. Um misto de vários sentimentos, amor, paixão, felicidade, angústia, ansiedade, gratidão, alegria, fé...

Estar ao lado Mateus é indescritível. Eu costumo pensar que a melhor foto é aquela registrada na nossa memória, arquivada pra sempre nosso coração.

Eu dormi muito pouco na noite de sábado para domingo. Escrevi até 3 horas da madrugada. Quando fechei os olhos e pensei que iria descansar descobri que estava enganado. Acordei suando, assustado, sem saber o motivo.

Chovia, seria o prenúncio das lágrimas? Lágrimas de tristeza, ou felicidade? Ou seria apenas o céu irrigando meu sonho, assim como a água irriga e faz germinar a vida? Pedi a chuva que respondesse, em vão, ela não respondeu.

Passei no quarto do Mateus, beijei sua cabeça, ajeitei o cobertor e fui para o meu quarto. Quando o celular me chamou eram 7h45. Pulei! Estava começando o  dia mais importante da temporada para alguns amigos, pessoas que eu conheci e passei a respeitar, admirar. Para outros abnegados que resilientes continuaram quando muitos desistiriam, para os jogadores e suas famílias, para milhares de amantes do esporte, para mais de três mil pessoas que estariam no ginásio.

E para nós, um dia muitíssimo especial. Pela primeira vez na minha história e do Mateus, do alto dos seus onze anos, nós teríamos a chance de assistir juntos, ao vivo e "in loco", a uma disputa pelo título. Quando ele tinha quatro, cinco anos ele sempre perguntava: "vai ter troféu"? Hoje não!

Saímos por volta das 8h30 em direção ao Centreventos, ele ainda com carinha sono, eu ansioso, angustiado. As escadarias do ginásio rumo ao palco não tinham fim. O tempo estava parado, não passava, as horas que antecederam a partida se arrastavam. Somente em momentos pontuais é que a ansiedade diminuia.

Por volta das 9h30 os jogadores chegaram no estacionamento. Do terraço eu, Mateus, recebemos as companhias dos amigos do Replay, Yan, Maicon e Vitor. Quando os jogadores subiram as escadas o Mateus correu para o corredor para cumprimentá-los. Um a um ele os cumprimentou sorrindo, lembrei do Marcos criança e percebi o quanto meu filho estava aproveitando a eternidade daqueles momentos.

O Lipe, ou Xuxinha, é o grande companheiro do Mateus nos jogos de futsal, ou melhor, no antes e depois dos jogos. Enquanto eu e a equipe do Replay fomos para quadra buscar informações e fazer nosso trabalho, Mateus e Lipe ficaram jogando bola no palco do Centreventos.

No momento dos jogadores entrarem em quadra, lá estava o Lipe com o pai Xuxa, e o Mateus sendo levado pela mãos pelo pivô Jé. Um pouco antes, enquanto os jogadores perfilados esperavam a chamada para entrar em quadra ele foi até o Eka e pediu do seu jeito "no outro eu pedi e você fez um gol, faz outro de novo hoje?".

Busquei meu lugar, esperei o Mateus voltar e assistimos juntos toda a partida. Sofremos, comemoramos, angustiamos juntos. Depois ele me contou que quando o Valdin colocou a Assoeva em vantagem foi o único momento que ele ficou preocupado.

Quando o JEC empatou ele tinha a certeza de que o time conquistaria seu objetivo. Mesmo depois de Valdin empatar o jogo que Jackson havia virado. Na prorrogação, disse ele, "foi que eu fiquei mais tranquilo". Meu Deus, e eu sofrendo!

Depois do gol do Jackson na prorrogação desci para entrevistar os jogadores, ele ficou no parapeito do palco. Porém, quando a arbitragem encerrou a partida o ginásio esvaziou-se, silenciou e eu só ouvi e vi o Mateus. Corri na sua direção, e demos um longo, carinhoso e apertado abraço! Nós também somos campeões. Eu chorei, ele também.

Voltei para a quadra, fiz meu trabalho e quando o segurança deu uma bobeirinha, o levei para dentro quadra para comemorar. Sim, eu pequei!

O primeiro jogador que ele foi parabenizar foi o Eka, que disse ao Mateus, "viu consegui fazer o gol de novo". Sim novamente porque o Mateus havia pedido também um gol em Venâncio e assim como em Joinville, ele foi atendido pelo jogador.

Nos juntamos a Marta e a festa estava completa, em família, mais um motivo para ficarmos felizes.

Comemoramos, vibramos, passamos um dia inesquecível. Eu tenho certeza que, quando o Mateus estiver com os 41 anos que eu tenho hoje, ele ainda lembrará destes momentos. De ver seu time erguer a taça de campeão, de entrar com os jogadores, e de comemorar ao lado do pai...

*Mateus, hoje tem troféu!*

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